O que move a vida é o sonho

Eu sei que você vai me entender agora, porque provavelmente já sofreu do mesmo problema que eu.

Sabe quando a gente não se reconhece na própria história? Quando olha ao redor e se depara com uma realidade completamente diferente da que imaginava ter àquela altura da vida? Parece que fomos assistir um filme no cinema, mas está sendo passado outro.

Eu já me senti assim. Tinha feito planos desde menina e até um dado momento as coisas iam acontecendo conforme eu esperava. Muito nova já tinha cumprido quase tudo o que eu tinha como objetivo. Ah, tadinha! Ali estava o erro da "xofem"!

Nos últimos tempos, principalmente no contexto desta tragédia que é a pandemia (ainda maior para nós, brasileiros), muitos planos foram massacrados. O tempo revira a mesa da vida, desmonta o nosso jogo quase ganho e, com alguma frequência, nos coloca em posição de recomeço. Dá vontade de sentar e chorar!

Diante da perda de alguém amado, de um divórcio, de uma demissão, a gente acha que está tudo acabado! Não, não está tudo acabado, a não ser que não haja mais vida. Só não há mais o que fazer para os que já partiram desta existência, embora haja quem discorde (eu super respeito!).

O que quero dizer é que todo tempo é tempo de renovo. Não existe idade máxima para iniciar um novo projeto de vida! Não há um limite no número de recomeços! Novos sonhos e objetivos podem ser produzidos a qualquer momento da nossa existência. No entanto, não sejamos ingênuos em acreditar que estamos todos em pé de igualdade. Não estamos. Há questões que atravessam as nossas possibilidades e que determinam as oportunidades que temos.

Ainda assim, eu acredito que o que move a vida é o sonho! Aprendi isso com o meu saudoso pai. Inúmeras vezes o vi recomeçar, com ideias e gás renovados quando tudo parecia difícil, até impossível. Com os poucos recursos que dispunha no momento, ele inventava uma nova realidade. O futuro acontecia primeiro na cabeça dele. Depois é que nós víamos com nossos próprios olhos. Tudo sempre deu certo? Óbvio que não. Mas havia sempre uma nova tentativa dele de fazer acontecer alguma coisa, grande ou pequena.

No dia em que me despedi de meu pai, horas antes ele me contava do seu mais recente plano. Mal sabia ele que nem 24 horas depois já não estaria mais aqui para realizá-lo! Enquanto esteve aqui, ele sonhou e realizou muito! Deixou para mim uma das lições mais importantes que aprendi com o seu exemplo: não desista dos seus objetivos! Lute! Faça o que estiver ao seu alcance para fazer acontecer o que deseja! Pode não dar certo. Ok. Mas com certeza nada vai acontecer se você não tentar.

Longe de mim aqui, nessas despretensiosas linhas, querer fazer coaching motivacional. Não tenho formação (e nem a intenção) para isso. Eu quis mais escrever sobre a minha experiência de estranhamento da vida, que pode ser semelhante à sua. Também quis contar de onde eu tiro a minha motivação.

Talvez alguém precise ler isso hoje. Talvez eu precisasse acessar essas lembranças tão caras para mim. Termino minha escrevivência com o coração quentinho, sem saber direito como classificar este texto. Mas será que precisa? Eu sei que eu tinha que escrevê-lo. Compartilho com carinho com vocês, especialmente com aqueles que precisavam lê-lo.

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